MARUINS NÃO SÃO BORRACHUDOS


Ricardo Soares Matias Médico Veterinário MSc – CRMVRS – 1968 Consultor em Gerenciamento de Sinantrópicos Credenciado pela Aliança Internacional de APPCC Instrutor SENAR RS e SESCOOP RS, SC e PR Especialista em Atenção Primária de Saúde/Saúde Comunitária E-mail: matiassinantropicos.blogspot.com


CONSIDERAÇÕES INICIAIS


Há inúmeros trabalhos e publicações que tem feito referência ao fato do maruim ser o mesmo borrachudo e que ambos sejam vetores de uma verminose denominada mansonelose.


Entretanto são espécies totalmente diferentes. O maruim pode transmitir esta verminose, mas em outras partes do planeta, não no Brasil pois segundo Medeiros, J. F. e col. 2009, no Brasil, somente os simulídeos são assinalados como transmissores da Mansonelose.


Por estas razões consideramos importante fazermos uma breve diferenciação entre estas duas espécies.


MOSQUITOS


Acredita-se que os mosquitos tenham evoluído cerca de 170 milhões de anos atrás, no momento o primeiro registro conhecida ocorreu durante o período Jurássico (199-144 milhões de anos atrás), com o mais antigos fósseis conhecidos são do Cretáceo (144-65 milhões de anos atrás).


Acredita-se que tenham evoluído na América do Sul, espalhando inicialmente para o norte do continente Laurásia e re-entrando nos trópicos pelo norte do país.


Reino Animalia

Filo Arthropoda

Classe Insecta

Ordem Diptera

Subordem Subórdem Nematócera

Família Culicidae

Subfamília Culicinae

Gênero Aedes

Gênero Culex

Subfamília Anophelinae

Gênero Anopheles

Família Psychodidae

Subfamília Phlebotominae

Gênero Lutzomyia (Novo Mundo – Américas)

Phlebotomus (Velho Mundo – Europa e demais)

Família Ceratopogonidae

Gêneros: Culicoides (maruins) e Leptoconops

Família: Simuliidae

Tribo: Simuliini

Gênero: Simulium


  1. MARUINS

O maruim, mosquito-pólvora ou mosquito do mangue é um membro da família Ceratopogonidae de pequenas dimensões (1 a 3 mm) dotados de aparelho do tipo picador-sugador . Entretanto os apêndices bucais são menores que os demais mosquitos picadores-sugadores como os pernilongos.


  1. Lábio com labela (aloja todos os 6 estiletes)

  2. Labro (é uma calha por onde passa o sangue)

  3. Hipofaringe (passa o canal salivar)

  4. Maxila (2-protegem a probóscide ou tromba)

  5. Mandíbula (2-protegem a probóscide ou tromba)


Probóscide ou tromba = 1 + 2 + 3 ladeado acima pelos palpos maxilares


Seu labro, que é por onde o inseto suga o sangue é bem mais curto e mais grosso, que é uma das razões da picada doer tanto.

Estes insetos tem uma picada extremamente dolorosa. Kettle, D. S. em The bionomics and control of Culicoides and Leptoconops, 1962 diz que: “Um maruim é uma curiosidade entomológica, mil podem ser o inferno”.

Pela foto acima onde existem inúmeros maruins no dorso da mão, verifica-se ausência da gota de sangue comum aos borrachudos em função do tipo de aparelho bucal. No borrachudo o labro funciona como uma tesoura cortando o tecido onde o sangue se acumula para o inseto sugar. No maruim ele pica e suga. Como seus peptídeos são mais alergênicos sua reposta é bem mais intensa.


Os indivíduos adultos de ambos os sexos se alimentam de seiva e néctar de plantas em busca de substâncias açucaradas, mas as fêmeas são hematófagas em busca de uma alimentação rica em proteína animal para maturação dos seus ovos.


Os mosquitos, em geral, se forem perturbados durante a hematofagia sairá do hospedeiro. Caso contrário, permanecerá até que fique com o abdômen cheio. No abdômen tem um nervo sensório que identifica a hora de largar o hospedeiro. Se este for cortado continuará sugando até estourar.


As proteínas da saliva evocam uma resposta imune do corpo do hospedeiro. A área fica edemaciada e coça, uma resposta provocada pela saliva. Eventualmente, o inchaço vai embora, mas a coceira permanece até que suas células fiquem imunes às proteínas da saliva.


O maruim como os outros mosquitos se reproduz em lugares alagados, como banhados, onde existe matéria orgânica em decomposição. Pesquisas recentes no sul do Brasil (região de Corupá, SC) determinaram que um dos nichos para sua reprodução são os cepos das touceiras de bananeira e as fezes de animais.


Suas larvas vivem na água doce ou salgada, conforme a espécie. É encontrado no interior, em matas úmidas e brejos, ainda são encontrados em água parada dos mangues, dos buracos de caranguejos, das valas das ruas, das margens de represas e rios, dos internós de bambus, etc.


<