PORQUE SINANTRÓPICOS E NÃO PRAGAS

Nossa atividade profissional tem se mantido fiel a conceitos, denominações, critérios muito antigos e tem uma grande dificuldade de se adequar às novas formas de se expressar.


Conceitos que ficam muito tempo arraigados em nossa cultura são difíceis de serem removidos. É claro que é uma mudança de atitude, de conceitos, de cultura. Mas temos que estar abertos a novas considerações.


Dentro deste princípio temos: controle, pragas, pragas urbanas, controle de pragas, praguicidas, dedetizadoras, dedetizadoras, manejo integrado de pragas e assim vai.


Já faz algum tempo ouvindo uma propaganda da TIM, por sinal a TIM faz propagandas geniais e que me chamou atenção porque abordava uma questão que está bem dentro destas considerações que estou fazendo. Ela dizia assim:


Mudanças existem. Alguma coisa está acontecendo! As fronteiras estão se abrindo – É isso que está acontecendo. E toda banda larga será inútil Se a mente for ESTREITA


É tempo de mente sem fronteiras.


Somos profissionais da saúde, agentes de mudanças na conceituação dos profissionais que atuam na melhor qualidade de vida do indivíduo na medida em que se conceitua saúde, conforme Perkins, 1938 como sendo um estado de relativo equilíbrio, da forma e função do organismo, resultante do seu ajustamento dinâmico e satisfatório, às forças que tendem perturba-lo.


Descrevo palavras do eminente Professor Emilio Marcondes Ribas em sua conferência proferida em 1922, na Faculdade de Medicina da USP, 20 anos após a erradicação da febre amarela no Estado de São Paulo:


“Quando de todos os lados só vemos preparativos de festa, montes de flores e hymnos de alegria para solennisar a tomada de posse da mais bella das conquistas do homem, confrangese-nos deveras o coração quando nos saem pela frente moços de rosto carregado promptos a soltar a nota dissonante a despedaçar toda a synphonia do acto festivo.


Nas minhas veias de velho sinto que corre um sangue muito vigoroso, desde que a questão da febre amarella deu um passo decisivo. Desapareceu a mancha negra do fundo do quadro: o Brasil já é outro.


Nem malária nem febre amarela! Não mais separações intempestivas, não mais tanta viuvez, tantos orphans, tantas lágrimas! Em quanto importa a descoberta do papel transmissor do Anopheles e do Stegomya”.