Cinco 'pragas' causam preocupação no DF. Saiba como prevenir infestações

Aedes aegypti, escorpião, barbeiro, carrapato e roedores trazem incômodos a população. Entenda como eles se espalham e as melhores maneiras de prevenção e os tratamentos disponíveis contra algumas doenças que eles causam
 

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 

 

Encontrar ratos pelas ruas de Brasília não é surpresa para os cidadãos. Ter um conhecido que já teve dengue também não é novidade. Estes e outros animais estão se tornando rotina na vida dos brasilienses e trazendo preocupação pelas doenças que transmitem ou por serem venenosos. Ao menos cinco "pragas" estão em evidência nos últimos tempos no Distrito Federal. Entre elas: Aedes egypt, escorpião, barbeiro, carrapato e rato. O Correio traz uma lista com informações sobre cada um deles e opções para prevenir infestações.

 

(foto: Fábio Bastos/ASCOM IEC)

 

Campanhas nacionais contra o Aedes aegypti são rotineiras em todo o país. O Ministério da Saúde aumentou em 83% os recursos destinados à vigilância de doenças transmissíveis, entre elas, dengue, zika e chikungunya. No ano passado, o orçamento aos estados em torno tanto de campanhas e prevenção a municípios brasileiros foi de R$ 1,93 bilhão. No ano de 2018, estão previstos R$ 1,9 bilhão designados às ações da Vigilância em Saúde.

 

 

A Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) é responsável por medidas de prevenção e controle do inseto. Possui o comprometimento de ir às casas das pessoas para conferir focos do mosquito. A proliferação dele está intrinsecamente ligada ao saneamento básico do local. “No ano de 2017, a Dival realizou a inspeção em 1,4 milhão de imóveis no DF. Fazemos a checagem 4 vezes ao ano”, esclareceu o diretor da Vigilância Ambiental, Rafael Almeida.   

 

O papel dos guardas ambientais é conferir, em cada residência, objetos que possam conter água parada, área onde as fêmeas depositam as larvas. A forma de erradicação do mosquito é simples, mas, em geral, pouco realizada pelos moradores: basta eliminar água limpa e parada em locais como pneus, lajes, piscinas, garrafas, baldes, entre outros. É importante lembrar que se deve esfregar bem a área, mesmo após a higienização, pois, alguns ovos ainda podem estar ali. 

 

Apesar de o inseto viver cerca de 45 dias, o mesmo pode infectar em torno de 300 pessoas durante sua existência. As responsáveis pela transmissão são as fêmeas por se alimentarem de sangue. “Além de ser muito nutritivo, o sangue é usado para alimentar as larvas”, explica o biólogo Hugo Netto, 28 anos.

 

A secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal registrou, no mês de fevereiro de 2018, 15 casos suspeitos de febre chikungunya, 385 de dengue, 22 de zika e 25 de febre amarela silvestre. De acordo com a pasta, ao menos 6 regiões administrativas seguem em alerta de surto de dengue: Fercal, Lago Norte, Lago Sul, Park Way, Sobradinho 2 e Varjão. A professora, Fernanda Pontes, de 40 anos, conta que depois de ter uma febre alta e dores insuportáveis,  informaram que se tratava de dengue. “É uma dor surreal que eu nunca tinha sentido antes”, diz Fernanda. A mulher não contou que ficou surpresa com o diagnóstico, porque não havia em casa nenhum foco do mosquito. "Os vigilantes chegaram a vir até minha casa e não acharam larvas, nem na minha casa e nem nas casas vizinhas", conta. 

 

Todas as doenças causadas pelo Aedes aegypti possuem tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Para as doenças febre amarela, dengue e chikungunya, a terapia inclui a ingestão de antitérmicos, líquidos e bastante repouso. Já para zika há uma pequena diferença. A medicação é baseada no uso de antitérmicos (paracetamol e dipirona) e anti-inflamatórios livres de ácido acetilsalisílico, devido ao risco de hemorragias, segundo informa a Secretaria de Saúde.

 

(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)

 

 

Período de chuva atrai escorpiões

 

No momento em que começa o período de chuvas no Distrito Federal, brasilienses encontram com maior frequência escorpiões. Isso porque os bueiros e tubulações de esgoto, local onde o animal habita ficam inundados e eles se refugiam em outras áreas. Em 2017, a Vigilância Ambiental recebeu 918 chamadas de pessoas que viram escorpiões em algumas áreas do DF. Na época, foram realizadas inspeções em 765 imóveis e 545 animais foram capturados. A região de Planaltina teve o maior número de chamadas com 117 ocorrências, seguido da Asa Norte, com 115, e Ceilândia, com 96. 

 

No DF, há três tipos de escorpiões que aparecem com frequência: amarelo, amarelo com patas rajadas e preto. O aracnídeo vive em lugares escuros e úmidos, como bueiros, embaixo de madeiras e pedras. “O Tityus serrulatus, que é o escorpião amarelo, é um dos mais perigosos do mundo. As crianças e idosos são o grupo de risco podendo a picada dele levar à morte”, explicou o biólogo Hugo Netto.  

 

Uma das pessoas que se deparou com o aracnídeo foi o engenheiro civil Gustavo Catunda, 25 anos, que acabou sendo picado em fevereiro, no momento em que passeava com o cachorro em uma área do prédio. “Assim que eu entrei no local fui picado. Senti a dor na hora, é insuportável, vai subindo por toda perna”. Em um hospital particular, ele recebeu quatro soros na perna. “A picada só ficou roxa, mas foram mais três dias de dor e formigamento”, lamentou o engenheiro. 

 

Leonardo Conte, 35 anos, síndico do prédio de Gustavo, reclama que todo ano é o mesmo problema com escorpião. “O mato cresce, solicitamos à administração da cidade, a Terracap e à Novacap para fazer a limpeza do terreno, mas não somos atendidos. Quando divulgamos para mídia sobre o caso, aí a administração nos atende”, reclamou o síndico. 

  

Por conta da altura do mato, da umidade e da falta de constante limpeza do local, os escorpiões acabam invadindo o prédio. “Já encontramos escorpião até no 17º andar. E todos os dias, o pessoal da limpeza encontra os aracnídeos e eu alerto: ‘usem luva, bota e não peguem em lugares sem olharem antes’, relatou o síndico. 

 

Ao se deparar com um escorpião, a pessoa deve contatar a Vigilância Ambiental e solicitar que os vigilantes inspecionem o local. No entanto, os vigilantes não aplicam inseticidas para conter a população de escorpiões. “A vigilância recomenda que o morador identifique por onde os escorpiões estão passando e impeça a entrada deles”, disse Rafael. 

 

A Secretaria de Saúde aconselha alguns outros cuidados para evitar o acesso de escorpiões em residências, como fechar bem o lixo, vedar soleiras de portas e frestas de janelas, eliminar as fontes de alimentos dos aracnídeos - como barata e insetos menores -, remover folhagens de arbustos e trepadeiras das paredes externas. Além disso, os especialistas recomendam que é necessário prestar atenção ao mover pedras, tijolos, telhas ou madeiras, manter berços e camas afastados da parede e realizar limpeza da caixa de gordura a cada 15 dias. 

 

O soro anti escorpiônico é aplicado logo após a picada e está disponível no SUS. Ao ser picado Para diminuir a alastração do veneno é necessária a aplicação de compressa com água gelada ou quente em cima da área atingida.

 

(foto: Iano Andrade/CB//D.A Press)

 

 

Barbeiro transmite doença sem cura

Responsável pela transmissão do protozoário Trypanosoma cruzi causador da doença de Chagas, o barbeiro é uma da grandes preocupações da saúde pública do Brasil. O mal que atinge o coração, esôfago e estômago ainda intriga os cientistas, pois ainda não possui cura. Em 2017, de acordo com a Diretoria da Vigilância Ambiental em Saúde, foram capturados 617 barbeiros em todo o DF.

 

Segundo dados preliminares do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), em 2017, foram confirmados 347 casos de doença de Chagas aguda (DCA) em todo o Brasil. A doença de Chagas pode levar à dilatação de tecidos musculares, como do coração, causando insuficiência cardíaca e posterior morte.

 

Ana Fonseca, 74 anos, dona de casa, descobriu a doença aos 30 anos, após realizar exames de rotina. “No meu caso, ele ficou alojado no esôfago. Faço acompanhamento para ver se a doença se desenvolveu, mas, até o momento, não avançou. A única coisa que sinto, de vez em quando, é indisposição”, conta a dona de casa.

 

Mas o caso de Ana é uma exceção na família dela. A mãe da dona de casa e outros três irmãos possuíam o protozoário localizado no coração e morreram por conta da enfermidade. Dois irmãos ainda estão vivos, porém com os corações comprometidos. Ana conta que a casa em que morava, em Goiás, era feita de barro e palha, lugares onde o inseto costuma se alojar. 

 

O barbeiro propaga a doença através da picada, mas o ser humano também pode contraí-la por via oral. “O inseto pode ser encontrado em cachos de açaí ou cana-de-açúcar, por exemplo. Por conta da trituração da fruta, o barbeiro pode ser diluído no processo, assim como o protozoário. A pessoa que ingere o produto pode ser contaminada dessa forma”, explica o biólogo Hugo. 

 

Com a intenção de aproximar a população na causa contra o barbeiro, a Secretaria de Saúde criou Postos de Informações do Triatomíneos (PIT). Eles funcionam para que a população capture o barbeiro e o levem até o posto para que seja avaliado por vigilantes ambientais. “Por vezes, o barbeiro é confundido com percevejo e também há alguns que não possuem o protozoário. Se for realmente positivo, a vigilância ambiental faz a aplicação de inseticidas na residência e vai controlando a população de barbeiro até acabar (o foco do barbeiro)”, relata o diretor Rafael.

 

Para manter o barbeiro afastado, a Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) recomenda que indivíduos que moram perto de matas utilizarem telas na janela. Reparar a procedência dos alimentos que serão ingeridos como açaí ou cana de açúcar e não construir casas de barro e palha. 

 

Além de kits para diagnosticar a doença de Chagas, o SUS disponibiliza tratamento com comprimidos benznidazol (de forma oral) para todos os pacientes identificados com a doença ou portadores. Porém, o medicamento só pode ser utilizado nas primeiras semanas de contágio, quando a doença está na fase aguda. Quando o protozoário já está instalado no tecido dos órgãos, o remédio não chega a fazer efeito. 

 

(foto: Keiny Andrade/Folha Imagem)

 

 

Carrapato e a febre maculosa

O carrapato é um aracnídeo que vive em folhas e gramados e se alimenta de sangue. É conhecido pela maioria das pessoas que possuem cachorro. No entanto, além de deixar feridas na pele de animais, como cachorros, vacas e bois, o aracnídeo pode transmitir diversas doenças perigosas aos seres humanos, como a febre maculosa, doença que pode ser fatal. 

 

Existem várias formas de retirar os carrapatos da pele. Uma das dicas é passar querosene em um algodão e passar por cima do aracnídeo. O carrapato vai se soltar por ter repulsa ao querosene. “Queimar o palito de dente e passar em cima do carrapato também é válido”, recomenda o biólogo Hugo Netto. Para quem mora em lugares com muita mata é aconselhado colocar pedras de enxofre dentro dos sapatos por afastar o animal.

 

A Vigilância Ambiental realizou 20 inspeções em 2017, por conta de carrapatos em residências. O órgão afirma que faz a aplicação de inseticidas para conter a população de carrapatos, porém alerta que para conter a população do aracnídeo é importante fazer o corte regular de matos, realizar dedetização com inseticidas ou até mesmo maçaricos regularmente. 

 

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 

 

1,5 mil inspeções para acabar com ratos

Encontrados em centros urbanos, roedores são muito encontrados ao redor de caçambas de lixos para obter alimentos e bueiros que são os locais onde habitam. Eles podem transmitir diversas doenças perigosas como leptospirose, sarnas, alergias e até a peste negra que, um dia, já foi considerada uma das doenças mais perigosas do mundo chegando a matar cerca de 25 milhões de pessoas. 

 

São animais noturnos que vivem escondidos e possuem uma dieta não muito restritiva, por isso, é comum vê-los próximo a lixo. “O rato é um animal onívoro, o que lhe permite alimentar-se de diferentes tipos de alimentos de origem animal ou vegetal”, explica o biólogo Hugo Netto. 

 

No ano de 2017, a Vigilância Ambiental realizou cerca de 1,5 mil inspeções em áreas propícias a terem populações dos roedores. O órgão opera para diminuir a população de roedores, porém também é necessária a participação da população para prevenir o crescimento dos mamíferos. “É importante a mudança de hábito da população como não jogar o lixo em local aberto, tentar diminuir a quantidade de lixo, vedar frestas entre portas”, diz o diretor. 

 

A Vigilância Ambiental funciona das 9h até 17h. A DIVAL também pode ser contactada através dos e-mails: dir.dival@saude.gov.br vigilanciaambiental.df@gmail.com e o número: 9 96978024. 

 

*Estagiária sob supervisão de Jacqueline Saraiva

 

Fonte: Fernanda Soraggi*

www.correiobraziliense.com.br

 

 

 

 

 

 

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