EM 18 MESES, PAÍS REGISTRA 250 CASOS DE FEBRE MACULOSA COM 81 MORTES

DOENÇA É TRANSMITIDA PELO CARRAPATO ESTRELA, ESPÉCIE ACHADA EM ÁREAS ONDE CIRCULAM CAVALOS E BOIS. MAS O ANIMAL PREFERIDO DO CARRAPATO É A CAPIVARA.


Outro animal que provoca preocupação é um hospedeiro do carrapato-estrela, que transmite a febre maculosa.


A família de Laura Vicente, de 15 anos, tenta entender como a doença evoluiu tão rápido. A estudante, que morava em Salto, no interior de São Paulo, ficou internada nove dias e morreu com febre maculosa. “Ela só se manifesta depois de um tempo encubada. Ela é muito devastadora, foi uma coisa assim, muito rápida”, conta Marcelo Kenji, tio de Laura.


A febre maculosa é uma doença infecciosa transmitida pelo carrapato-estrela, espécie encontrada com mais facilidade em áreas de mata, por onde circulam cavalos e bois. Mas a preferência do carrapato é pela capivara, encontrada cada vez mais em centros urbanos. “A capivara é um hospedeiro natural, ela se torna uma fonte de infecção importante dentro dos centros urbanos”, explica a veterinária Andrea Higa Nakaghi.


Os sintomas da febre maculosa aparecem em até duas semanas depois da picada do carrapato e são parecidos com os de outras doenças: febre alta, dor no corpo, dor de cabeça. O diagnóstico é feito por exame de sangue e a demora para identificar a doença pode provocar complicações graves e levar à morte.


“A ação dela é dentro das células e vai ganhando corrente sanguínea, e aí é que está o grande estrago da febre maculosa, que a bactéria ocasiona: ela vai para a parede do vaso e destrói as células que compõem a parede do vaso, fazendo lesões em todo o organismo”, diz o infectologista Fernando Ruiz.


Em 2017, 65 morreram no Brasil. Este ano, já foram 62 casos, com 16 mortes. São Paulo é o estado com mais registros: 32, com 14 mortes. Minas registrou 13, com duas mortes. Santa Catarina também teve 13 registros, nenhuma morte.


Em Jundiaí, interior de São Paulo, agentes de saúde estão percorrendo parques e instalando armadilhas para capturar os carrapatos. “A ideia é saber qual a concentração desses em várias áreas públicas da cidade. A partir de então, nós fazemos uma orientação aos responsáveis do local para que façam um trabalho preventivo”, explica Carlos Ozahata, do Centro de Zoonoses


Fonte: g1.com




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