DOENÇA DE CHAGAS: VEJA LISTA DAS 40 CIDADES EM PERNAMBUCO COM BARBEIRO INFECTADO

Pernambuco tem 29 municípios no Sertão e 11 no Agreste com triatomíneos infectados, chamados popularmente de barbeiro

Barbeiro atua como vetor na transmissão da doença de Chagas

Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem

O primeiro surto de doença de Chagas de Pernambuco e possivelmente o maior do Brasil, anunciado por autoridades de saúde na última sexta-feira (31), traz luz para o mapa do Trypanosoma cruzi (parasita encontrado em fezes de insetos) no Estado. São 22 municípios considerados prioritários para a doença e acompanhados pelo Programa de Enfrentamento as Doenças Negligenciadas, o Sanar. Além disso, 40 cidades (29 no Sertão e 11 no Agreste - veja a lista abaixo) aparecem com triatomíneos infectados, que atuam como vetores na transmissão e são chamados popularmente de barbeiro. Nessa lista, está Ibimirim, no Sertão de Pernambuco, epicentro do surto que envolve pelo menos 77 pessoas. Das 25 pessoas com diagnóstico confirmado, seis permanecem internadas no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro, área central do Recife.


Não é de agora que Ibimirim desperta a atenção da vigilância epidemiológica. Dados reunidas com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde, revelam que o município desponta entre os cinco de Pernambuco (ao lado de Pombos, Riacho das Almas, Salgueiro e Vertentes) que tiveram casos agudos de Chagas em 2010 e 2011. A partir do ano seguinte, o Estado ficou sem registro de doença aguda pelo Trypanosoma cruzi, que voltou à cena nas últimas semanas em Ibimirim. “Se houve contaminação, tem barbeiro. O trabalho agora também é buscar onde está o foco”, diz a médica hematologista Cristina Carrazzone, que tem acompanhado os 77 pacientes expostos ao surto: 69 adultos e adolescentes, além de oito crianças (uma delas está entre os casos confirmados).


Ontem ela e demais profissionais avaliaram, na Casa de Chagas, em Santo Amaro, a condição de saúde de dez pessoas que não têm manifestado sintomas, mas que precisam de assistência porque a fase inicial do problema geralmente não dá sinais. “Os surtos agudos passam despercebidos pela semelhança de quadros clínicos com outras doenças. Identificar essa etapa é importante para tentar detectar a causa do surto e bloquear o risco de outras pessoas se contaminarem da mesma forma”, explica Cristina.


Em Ibimirim, essa investigação está em andamento pela Secretaria Estadual de Saúde, que divulgará hoje um novo balanço da microepidemia, com base no trabalho de campo que tem realizado em áreas próximas à escola onde ficaram os participantes de evento religioso realizado na Semana Santa.


O infectologista Filipe Prohaska, do Huoc, informa que os pacientes internados têm apresentado melhora do quadro clínico. “Dos oito que precisaram ficar no hospital, dois tiveram alta. Eles têm sinais da doença em atividade, mas esperamos uma boa evolução.” Por terem sido diagnosticadas na fase aguda, as pessoas contaminados têm mais chances de terem a doença controlada, em comparação com aquelas que tiveram a enfermidade detectada anos após a infecção. “O tratamento tem como objetivo fazer com que a doença não evolua para a cardiopatia crônica ou eventualmente para uma alteração digestiva”, diz o cardiologista Wilson Oliveira, coordenador da Casa de Chagas.


LISTA DOS 40 MUNICÍPIOS PERNAMBUCANOS COM TRIATOMÍNEOS INFECTADOS EM 2018:


Afogados da Ingazeira Afrânio Águas Belas Belém de São Francisco Bodocó Brejinho Cabrobó Calumbi Canhotinho Capoeiras Carnaíba Carnaubeira da Penha Caruaru Cupira Flores Floresta Garanhuns Ibimirim Iguaraci Ingazeira Itacuruba Itapetim Jucati Mirandiba Orocó Pedra Petrolândia Petrolina Salgueiro Santa Cruz Santa Maria da Boa Vista São Bento do Una São José do Egito Serra Talhada Serrita Terezinha Terra Nova Tuparetama Venturosa Verdejante



Fonte: https://jconline.ne10.uol.com.br



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